Perdoa

Anna Peralva  Cordeiro 

Por ter sido uma pueril flor do campo,

quando querias a exuberância da rosa;

por ofertar partes essenciais de mim

em versos de amor, e as queria em prosa.

Por não ser capaz de cantar com euforia

as letras das canções que sempre tocavas;

minh’alma as sabia de cor, a voz se confundia

com o som do coração, em estado de mágoa!

Por ter sido uma  estrela envolta em véus,

quando querias para ti o Universo infinito;

por sempre esperar o que não podias doar

e abortar todo o dia a dor, num calado grito!

Perdão, se quando vestida de estesia

sonhava alcançar serena, a alma tua;

és simplesmente um poema inacabado

que submerge na solidão, da rima crua!

Perdoa minha ingenuidade, imperfeita sou!

Por acreditar na sinceridade do teu amor

e entregar-me completa e sem restrições

a ti, um garboso aventureiro enganador!

Perdoa-me, pois já me perdoei dos pecados,

das saudades, do corpo chorando desejos.

Já me ajoelhei diante dos sentimentos remendados

e embrulhei em papel de pão, a ilusão que restava!

Perdoa-me, por tarde demais entender e acordar

nua de sonhos,  só… Numa realidade salgada e vazia

e toda a falsidade do teu olhar, não poder perdoar!

25/11/2009

Publicado no PSPCYBER POESIAS O REGISTRO SOB N º 77a47f97

 
Tutorial: Denise Worisch
Tube:  Mou
Sem nominação de foto.
Música: Acalanto