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EU QUIS Ariovaldo Cavarzan
Dos embates da lida, eu quis a vivência; da verdade, a inteira aparência, como luz a aclarar umbrais de inocência.
De dores e amores, eu quis sapiência e entre paz e temores, a fé sem ausência. Ante incertezas, eu quis inquietação, buscando erigir na esperança, a força do meu coração.
Quis em escarpas por caminho, enredar fardos de provações, e também suspirar sozinho, para sentir brisa fresca, em suaves dosséis de emoções.
Quis semear e ver florescer frutos de serena vontade, aflorados em calmaria de searas de bondade.
Quis sorver ares de bonança e ansiedade, de espera e inquietação, buscando entender, nos mistérios da saudade, os descompassos do meu coração.
Quis saciar-me na luz, irradiar, ser fanal, farol, quis sofrer, quis amar, transcender, flutuar, e em janelas de sol debruçar.
Quis firmeza de fé, e em acalantos de amor, a paz alcançar.
Quis ser sábio e humilde, paciente e destemido, feito planta de esperança que o açoite da ventania não consegue vergar.
Quis ser forte, calmo, sereno, heróico, mesmo diante da morte, para sentir-me estóico, protetor, ajudante, cuidador, despenseiro de amor, e alcançar norte de vencedor, mesmo que preciso fosse chorar.
E para bem prover esse todo meu querer, do bem Alto uma voz sentenciou: Vai! E o amoroso Deus Criador, simplesmente me fez Pai.
08/07/2009
Todos os créditos a quem de direito. Formatada com carinho por Vera Jarude, para o Mauro.
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