… Não olhes a quem.
Cândido
 
Numa tarde de inverno, agreste e fria,
Um sem abrigo veio a tiritar,
Pedir uma esmolinha pra matar
A dolorosa fome que sentia.
 
Levei-o à estalagem da alegria,
Sentei-me mesmo em frente a observar
Como sorvia, à pressa, o tal jantar,
Como se fosso o seu último dia.
 
Senti naquele olhar, ainda menino,
Um brilho irreal, talvez divino,
E que me irradiou de estranha luz.
 
E notei, num profundo sentimento,
Que  naquele santíssimo momento,
Matei a fome ao próprio Jesus!
 
Cândido, 26/10/2008
 
 
 
 
Todos os créditos a quem de direito.
Formatada com carinho, para o poeta.
Arte Vera Jarude