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A
oficina da Morte
Não há porque tanto pano e tanta roupa inútil. O mosquito misturado à cortina, não me deixa dormir. Vem raptar o meu sangue, num duelo de sobrevivência. No silencio da madrugada ouço gritos de aves sendo abatidas. O corpo é tragado pela máquina. Pena para um lado, sangue para o outro, numa fanfarra de vampiros tortos. Coisa nauseabunda! O cheiro é infectante. Enoja o sentimento de humanidade. Existe um carrasco solto na madrugada - Sem culpa e sem mágoa, Nutrido da indiferença humana. Deveriam respeitar as madrugadas, o silencio tem ouvidos! Amanhã comerei aqueles gritos - Beberei aquelas angústias, Sou cúmplice daquela barbárie! Todos comeremos aquela carne aterrorizada e ainda diremos: Sou vegetariano, me alimento de carne branca. Como se a galinácea fosse um repolho cantante, condenado ao deleite dos homens, e autorizado pelas sagradas escrituras! Ó impiedosa humanidade, a misericordia é um semblante desconhecido! Porque estas ansiedades por cadáveres e naturezas mortas? Não merecemos muito: O homem é um animal sedento de sangue; Inventor de sofrimentos! Bendita seja a dor, e o desencanto nosso de cada dia! Vem vingar o martírio da galinha e do gado: Tudo se paga! O diabetes e a esquizofrenia espreitam nas esquinas; É o envenenamento das artérias, brincando com um cálice de sangue. Um grito incomoda minha garganta - Um mosquito me faz meditar! Devora-me que te devoro! - Não existe um pacto pela vida; Uma moratória para o coração!!! Joao das Flores www.macacosecolibris.com ![]() Créditos Tutorial de Denise Worisch Versão de Vera Jarude Tubes: DW Música: dishwalla_Every_Little_Thing |