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O paraíso que eu quero Joao das Flores
O paraíso que eu quero Não é aquele lugar de misticismo e almas raras É feito de um pedaço da memória E veias que abraçam o coração É feito das coisas que amei Do que eu segurei em minhas mãos Daquilo que eu conheço, e ao meu abraço Faz rir ou faz chorar O paraíso que eu quero tem o sillêncio das rolinhas E o canto dos Jequitibás soletrando o vento Tem a vitalidade dos bagres E a humildade das baleias Ainda o marimbondo de cócoras E abelhas sorrindo O paraíso que eu quero É cheio de moças e aventais E quando chegar a primavera Os rapazes tecerão suas guirlandas E todos rodopiarão na embriaguês das flores O paraíso que eu quero Não tem luxo e nem pobreza O espírito a tudo conduz Com ares de nobreza O paraíso que eu quero Há de ter um pouco de tristeza e agonia Eu preciso confessar meus pecados E celebrar uma poesia O paraíso que eu quero tem cheiro de mulher grávida Olhos de mulher grávida, passos de mulher grávida É grávido e eternamente grávido Germinando as coisas sagradas O paraíso que eu quero é feito de gente Gente, multiplicada por gente Tocadores de flautas e batuqueiros Em busca de eterna harmonia Aos olhos atentos de Deus. Formatada com carinho, para o
poeta.
(Arte Vera Jarude)
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