Palco 


Sou o homem, cidadão perplexo da terra
      Quando o mar exige, a onda vem me buscar
      Eu lamento o azul, e borbulho no azul
      De bolhas sou, na paz do mar

      Quem me mandou estar aquí,
      Na paz do mar, que eu não pedí?
      Na indiferença do palco
      Que eu não erguí?

      Mesmo que brilhem todas as estrelas
      A solidão existe na imensidão do mar
      Nas fardas verdes dos meus coroneis
      Exército obediente de algas marinhas

      Despetalei meus sonhos, um a um
      E despertei exausto de mim
      Vencí minhas batalhas, dilacerei meu corpo
      E não consigo lapidar a alma

      E como comediante bêbado
      Exalto os meus papeis
      Um tempo trágico, outro irônico
      Meus passos sempre irão alem de mim

      Sou o homem, bicho universal
      E a plateia irreverente pede bis

      Joao das Flores

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Arte de Vera Jarude
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