Quando eu for velho



Quando eu for velho, e muito velho
E só me restarem as homenagens
Sussurros, palmas intermináveis
Que andam de mãos dadas com sacanagens

Quando eu for velho, ai, quando eu for velho
E o triunfante olhar do meu bisneto
Comunicar-me fulminantemente
Que eu tenho agora um tataraneto

Quando eu for velho, ai, quando eu for velho
E o mundo achar que não mereço amor
E o meu vizinho prá me ver contente
Jogar um pó no meu respirador

Quando eu for velho, ai, quando eu for velho
Não me enviem pra lugar um aflito
Quero o presente de um olhar com brilho
Mesmo comendo arroz e ovo frito

Quando eu for velho, ai, quando eu for velho
E não quiserem mais eu por aquí
Não me obriguem, ai, não me obriguem
Fincar barraco em uma UTI

Quando eu for velho, ai, quando eu for velho
Quero o unguento dos Parauapebas
E um cantinho, assim todinho meu
Onde coçar minhas lindas perebas

Quando eu for velho, ai, quando eu for velho
Quero acordar no tempo que passou
O que eu queria, ai, como eu queria
Dançar de novo aquele Rokem Rôu

Quando eu for velho, ai, quando eu for velho
E dos amigos não sobrar nenhum
Quero ir embora assim, tranquilamente
Em dezenove dias de jejum .



Joao das Flores
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Todos os créditos a quem de direito.
Formatada com carinho, para o poeta.
Arte Vera Jarude.
 
 
 
 
 

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