Romanesco 


      No cativeiro do corpo, não consigo navegar minha estrela.
      Não sei do mar, e por não saber do mar, as minhas caravelas
      Despencaram nos despenhadeiros sem fim.
      Apenas sei, que o mar é branco, o homem, azul;
      Porque o homem sonha, e o mar é sal.
      Sonhamos e expelimos nossos gazes, pelos poros da alma.

      Não sei da eternidade. A existência é como um ponto de interrogação:
      Decifrarei quando chegar a hora.

      Estou aqui, mas isso não basta.
      Perguntas me visitarão esta noite, tão vazias de respostas.

      Uma certeza me acontece, no reinado das horas:

      Ainda hei de ouvir tocar, as trombetas nos palácios,
      Anunciando o fim dos impérios.
      Vagas e homens se degladiarão, pela sobrevivência dos livros,
      Pela salvação dos versos, pela limpidez do sagrado ato de existir.

      A poesia e o ramo de azevim, a videira e o grão do trigo.
      Não fugirá a terra, o mar descansará
      E germinará uma outra civilização!




      Joao das Flores
 

 
 
 
Tutorial de Denise Worisch
Versão de Vera Jarude
Tubes de Denise Worisch
Música:Plus Fort que Nous
 
 
 
voz/interpretação
Astir*Carr: