O boto – nº 2

 

                           a Antonio Carlos Jobim

 

E dizem que ele deixou um rastro

de pétalas e sílabas,

trocou a pele

alimentou-se da própria carne

e alinhavou-se ao horizonte

 

Dizem ainda que,

quando há tempestade,

o mar se acalma

e deságua em rios

 

Quando as pessoas sentem saudade,

ele oferece rimas...

 

Ele ri como ímã...

 

Todos olham para si mesmos

sustentando a força

em seus tentáculos

 

Colhendo faíscas nos relâmpagos,

ele inicia uma fogueira:

redige no ar o tempo de um poema

com os olhos das árvores

que ele mesmo dispersa

e chama

 

Seus afagos

fecundam as meninas

que abrem as mãos

antes pousadas

sobre os próprios umbigos.

 

 

João de Abreu Borges

 

 

 

 

 

Todos os créditos a quem de direito.

Formtada com carinho, para o poeta.

Arte Vera Jarude.