O boto
– nº 2
a Antonio Carlos
Jobim
E dizem
que ele deixou um rastro
de
pétalas e sílabas,
trocou
a pele
alimentou-se
da própria carne
e
alinhavou-se ao horizonte
Dizem
ainda que,
quando
há tempestade,
o mar
se acalma
e
deságua em rios
Quando
as pessoas sentem saudade,
ele
oferece rimas...
Ele ri
como ímã...
Todos
olham para si mesmos
sustentando
a força
em seus
tentáculos
Colhendo
faíscas nos relâmpagos,
ele
inicia uma fogueira:
redige
no ar o tempo de um poema
com os
olhos das árvores
que ele
mesmo dispersa
e
chama
Seus
afagos
fecundam
as meninas
que
abrem as mãos
antes
pousadas
sobre
os próprios
umbigos.