ROSEIRAS DOLOROSAS
José Antonio Jacob

Interpretação: Astir*Carr


Estou sozinho em meu jardim sem cores,
E ainda que eu tenha mágoas bem guardadas,
Cuido dessas roseiras desmaiadas,
Que em meu canteiro nunca abriram flores.

Tais quais receosas almas delicadas
Elas se encolhem sobre seus temores,
E abortam seus rebentos nas ramadas,
Enquanto vão morrendo em suas dores...

Quantas almas que por serem assim,
Como essas tristes plantas no jardim,
Calam-se a olhar o nada tão descrentes...

Feito as minhas roseiras dolorosas,
Que só olham para a vida, indiferentes,
E não me dão espinhos e nem rosas.
 
 
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Do livro Almas Raras de José Antonio Jacob
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Formatada com carinho, para a poeta
Arte Vera Jarude