O VENDEDOR DE BONEQUINHOS
José Antonio Jacob

Interpretação: Astir&+*Carr


De manhãzinha à beira da calçada
Todo dia uma corda eu estendia
E pendurava nela uma braçada
De bonequinhos feios que eu vendia.

Eram polichinelos que eu fazia
De trança de algodão, à mão desfiada...
No pano das feições não conseguia
Puxar-lhes traços de melhor fachada.

Ao desbotar o azul no fim do dia,
Quando eu os desatava dos alinhos
Desse varal de cordeação brilhante,

Esses desengonçados bonequinhos
Desciam-me nas mãos com alegria
E me davam abraços de barbante!


In: JACOB, Almas Raras-José Antonio de Souza,
Juiz de Fora-MG, ArtCulturalBrasil, 2007

 

Todos os créditos a quem de direito
Formatada com carinho, para o poeta
Vera Jarude