Diga!
Marilena Trujillo
Se te perguntarem
de mim...
Diga que fui ingrata... Que parti...
Que infernizei teus dias,
feri tua alma,
Que jamais o fiz feliz... Ou entendi!
Diga que
fui o teu desespero, tua insônia...
A única culpada das tuas pesadas
penas...
Que tuas noites não tinham beleza, calor!
Que a minha consciência
me condena!
Que em teu peito deixei cicatrizes profundas,
Que eu
era fútil, fria, vaidosa... Arrogante!...
Que tomei posse da tua vida, da tua
liberdade,
Que fui perversa... Uma ave errante!
Diga... Diga
tudo quanto quiser!
Maldiga quando me conheceu e amou!
Deite pelas costas
momentos lindos e felizes...
Diga que nunca... Desejou-me ou
amou!
Aparte da tua existência a minha figura,
Tire o gosto do
meu beijo em outra boca!
Navegue em sonhos maiores, perfeitos!
Bem sei...
Será esta a tua fuga louca!
Mesmo assim... Permanecerei
serena...
Arrasada por dentro é verdade, mas altiva!
Convicta do lugar que
conquistei, ocupei...
Mesmo que me destrate, serei tua brasa
viva!
A que chegou na hora exata... Fez-te sorrir,
Embalou tuas
noites com mil sonhos e fantasias,
Que te cobriu de mimos... Mil beijos...
Afagos...
E que tanto te amava... Desejava... E
queria!...
Diga... Diga tudo que bem entender!...
No silêncio do
teu quarto... Serei saudade!
A lembrança teimosa... Da paixão
excitante,
Nosso amor seguirá pela cruel eternidade!
Mary
Trujillo
Arte:Vera Jarude
Formatada com carinho.Todos os créditos a quem de direito.
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