INSENSATEZ
Ruth Gentil
Sivieri
Com leves passos, passo, de
mansinho,
procurando o teu vulto, que não vem
abraçar
meu abraço de carinho,
beijar o beijo que me fez
refém.
Mas não me vês chegar. Sem
burburinho,
sou somente ilusão, quase ninguém,
sombra
que segue, só, pelo caminho
em que me beijas sem saber a
quem.
Saio de cena, cega de agonia.
Chamar
por ti não sinto necessário,
serei vulto invisível outra
vez.
Sou fração de uma frágil
fantasia,
és uma cruz a mais em meu calvário,
nós somos,
simplesmente, insensatez.