Estradas
Sandra Ravanini



Vai, alquimista, vai por essa estrada
sem fim; engole o alcatrão da rinha
num asfalto onde a curva definha
para o centro da rua conturbada.



Choram as crianças, choro também eu...
a voz que me trai jaz torturada;
não há outros festivais, e atordoada
o lembramento devolve à ira, deus.



Sonha! não acorde nunca, não vá mais;
o vazio virá socorrer o antro
do vazio corrompido que eu estanco
na estrada sentida e insaciada de ais.



Acorda, alquimista, a corda e o apelo!
Se todos dormiram quando eu acordei
amputando a dormência que eu, só, dei
aos que amei... alquebrada e em desespero.


17/09/2008
13h28



Wav: Jessé - Adágio D'Albinoni
Arte Vera Jarude

 

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