QUANDO NOS
"ENCANTAMOS"
Sylvia
Cohin
Tudo é estímulo e fica
mais gostoso...
Caminhamos
em nuvens coloridas
de arco-íris,
sorriso no brilho
dos olhos,
vontade de ficar sempre
acordado
a repetir, a repetir a
mesma imagem
fugidia gravada na
retina...
A boca esboça beijos
que permanecem
no sabor que não se
esquece...
E a pele em
arrepios,
- linguagem que só fala
quem sente -
lateja na palma das
mãos...
O encantamento
entorpece,
invade o corpo
em vertigem
e dança alucinando
o pensamento...
Tudo
é lembrança, é
tudo Encanto!
Jeito mais estranho de
ser cativo
nas asas da
mais louca liberdade...
Quando nos
Encantamos,
multiplica-se
o vigor,
o colorido da
vida,
e em tudo há mais
sabor!
Um mundo
novo em nós
enquanto o velho fica à
margem,
não
importa...
Os Encantados gravitam
entre si,
têm sua própria
distância
de outros corpos e de
outras gentes,
habitam um Universo sem
fronteiras
mas tão restrito...
inacessível!
Quando
Encantados,
o corriqueiro perde a
dimensão,
tudo
é infinitamente
menor
enquanto crescem a
coragem,
o destemor, a
ousadia;
fenece o egoísmo, o
apego,
e a mesquinhez cede
espaço
à grandeza de
gestos
e
sentimentos...
Quando nos Encantamos,
não tiranizamos.
Somos libertários sem
causa própria,
só por gozo e
prazer.
Nosso olhar fica
mais doce, aguçam-se os sentidos.
Somos donos
de 'algo' que existe mas não nos pertence, nem a mais
ninguém,
apenas nos
escolheu para se entregar...
Quando nos
Encantamos,
alguns dizem que é
paixão,
outros chamam de amor,
atração, empatia, tesão...
Eu acho que é a mais
perfeita alquimia.
Encaixe de elementos que
se combinam,
simbiose na melhor
dose!
Encantados,
somos bruxos,
duendes, fadas ou feiticeiros,
prestidigitadores,
magos, sedutores e
seduzidos,
entregues ao enleio
sublime e bacântico,
devasso e
sagrado,
do mistério de um
Encanto
que transcende o
tempo
e o espaço, como
dogma:
- a metade do
segredo é toda sua,
a outra
metade, eternamente minha...
Sylvia
Cohin
Republicado em
19.10.2008
Bahia -
Brasil
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