O Amor
 
Às vezes o amor parece ter seus próprios trejeitos
Porque não cede ao primeiro impulso do coração
Estabelecendo seu incompreensível preceito
De ora aceitar espontaneamente, ora apresentar um gélido não
 
Talvez o amor seja como as fascinantes montanhas
Que perseveram por milênios para transmitir serenidade
Assim, quiçá o amor queira criar suas delicadas façanhas
Para que seu florescer perdure por uma suposta eternidade
 
E ao lograr tornar-se incessante, provavelmente o sonho recôndito do amor
Seja transmigrar os limites temporais que assolam a física estrutura
Para que mesmo corporeamente extinguido, ele mantenha todo seu fulgor
Perceptíveis em amalgamas de luz, moléculas de zelo e átomos de ternura
 
Ou talvez o amor seja como uma sutil brisa
Que nunca se sabe de onde vem, nem para onde vai
Mas que quando passa encanta como uma excelsa poetisa
Ou inspira, edifica e fascina como o ubíquo Adonai
 
E ao tornar-se sublime e onipresente, quiçá ele queira dizer
Que sua nobre substância almeja estar por todos os lugares
Nas plantas, nos animais, no universo, no início e no padecer
Tranqüilo, consciente e transformador como todos os Avatares
 
Mas talvez o amor não se preocupe com todas estas lucubrações
E, portanto, ele apenas tenha o intento de seguir seu instinto
Que umas vezes repulsa por medos advindos de possíveis provações
Outras vezes aceita porque, de sua própria essência, ele mesmo esteja faminto
 
E ao demonstrar que ele não se manifesta por sentir medo
Mas que, às vezes, também sente saudades de sua substância
Ele inconscientemente nos revela o mais importante de seus segredos
Que é o infinito desejo de estar presente em todos e em todas as estâncias.
 (Tadany – 04 05 08)

 

 
 
 
Todos os créditos a quem de direito.
Tutorial: Denise Worisch
Tube:Narah
Música: barbara_mason_misty_blue