Cumplicidade 
(Tere Penhabe)
 
 
De madrugada, quando as ondas correm,
descabeladas, bem rente à janela,
deixo que os sonhos, junto a elas, jorrem,
que a razão dorme, austera sentinela.
 
Sem tê-la a reprimí-los, já não morrem,
e brincam saltitantes, sem cautela,
todo o areal, dançando, eles percorrem,
sonhos de amor, da vida, que é tão bela.
 
Cumplicidade doce à qual me apego,
trazem saudades que jamais renego,
quem há de renegar o bem que fazem?
 
O dia vai nascendo, lentamente,
apaga os sonhos, que serenamente,
na areia branca, docemente, jazem.
 

São Vicente, 05/07/2011
 
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