Se as madrugadas foram de
terror algum dia,
podem curar-se nas manhãs
de sol,
quando acontece o mágico
arrebol,
pintado pelas mãos na natureza,
e
sempre há mar... há mar
constantemente.
Às vezes rude e tão
destruidor!
Parece prestes a explodir em mil
pedaços,
como o homem que é incapaz de
amar.
Violento, insano, embrutecido,
como
alguém que não quer ser querido...
E, no
entanto é mar... eternamente
mar!
Outras vezes é sereno,
de
ondas mansas que desmaiam na praia,
com a
mesma languidez e torpor,
de quem acabou de
fazer amor.
E as brumas de ternura o
envolvem,
tornando-o silente,
acariciante...
como um homem cativante,
de
olhar sensual... bom amante.
E então é mar...
ternamente mar!
Mas às vezes é
assim...
Eu o quero e mesmo assim vai
embora,
como foi com a maré de
agora,
distante, cada vez mais
distante.
Tudo que vejo: a luz
bruxuleante,
das traineiras estendidas nos
braços do horizonte,
cochilando na escuridão
da noite.
Nesse desconfortável de
repente,
ele é pura e simplesmente:
-
Você!
Que nunca mais eu vi...
Que não sei
onde está...
Que não se importa de me ouvir
gritar.
Você que eu não esqueci...
Que
partiu há tanto tempo,
e eu me pergunto se
algum dia vai voltar...
E então ele
é mar... insensivelmente
mar!
Santos,
06.11.2008
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