Paisagens
(Tere
Penhabe)
Em algum dia eu fui o
amanhecer,
Que viu tanta magia
acontecer,
De sonhos salpicados no meu
céu,
Brindando à vida que ganhei de
Deus,
Na doce concessão de amados
meus,
Fazendo da alegria um
escarcéu...
Depois o tempo fez de mim um
raio,
Que é da tempestade o
vil ensaio,
E o temporal se fez em
minha vida...
Espalhei dores que colhi
também,
Ternura nunca tive de ninguém,
E
se existiu passou
despercebida...
Tornei-me um iceberg
poderoso!
Rodeado do escuro tenebroso,
Que
marca a ferro aquele que sofreu...
Mesmo com
o calor à minha volta,
Muito maior que
tudo, era a revolta,
Mas hoje eu sei que o
amor me
derreteu!
Não mais
que de repente eu virei mar...
Que aceita
tudo pronto a abraçar,
Serenidade
é minha
meta agora...
Na dor desatinada vi a lição:
-
Brigar, jamais! Sou pura aceitação.
E o que
não posso ter me leva
embora.
Dos
meus naufrágios eu cuido sozinha,
A natureza
é mãe mas não só minha,
Do mundo, tenho a
parte que me cabe...
Eu não cultivo mágoa de
ninguém,
Mas quero perto os que me fazem
bem,
E os que não fazem, cada um, já
sabe.
Não
espero mais do que eu mesma entender,
Que
nessa vida esteja a merecer,
Mas menos nunca
aceito e está acabado.
Perdôo sempre que
alguém me pedir,
Mesmo que assim eu possa
denegrir,
O meu conceito ao mundo
apregoado.
Às
vezes, na mentira, finjo crer,
Até que alguém
consiga me entender,
Saber que não sou
dona da verdade...
Se acaso achar que pode me
enganar,
Mais tempo do que eu mesma
tolerar,
Saiba que então já é
mediocridade.
O
sol empresta a sua luz ao mar,
Que abraça a
luz sem medo de acabar...
Eu quero ser,
tal qual o mar, assim:
- Não desejar o que
não aconteceu,
E não chorar o que ainda não
morreu...
Banhar-me em luz sem medo de ter
fim.
Santos,
14.10.2008
www.amoremversoeprosa.com
Todos os
créditos a quem de direito.
Arte Vera
Jarude
Imagens:
National Geografic.