Poeticamente falando...
Tere
Penhabe
Quando falo através da poesia,
não estou falando a verdade, estou falando o que
sinto... E o que sinto é o que milhões de
pessoas sentem, pois não sou diferente da
maioria e que bom que é assim! Mas o que sinto,
pode não ser a sua verdade...
Quando falo
de amor, não falo do amor que tenho, falo do
amor que sonho, que às vezes tenho, às vezes
não. E ao amor que tenho, meu poema é maior,
mais impregnado de emoção e calor, infinitamente
mais passional, e sempre se chama "Vida". Ele
sabe disso, importando-se ou não.
Quando
falo da dor, ela se transforma, deixa de
machucar. A dor poetizada torna-se um pássaro,
que às vezes não voa tão bem porque está ferido,
entretanto, será sempre um pássaro. Dor, não
será mais.
Quando falo da natureza, é do
ser humano que falo, porque ela nos representa
em todas as nossas formas. No sol nascendo,
cheio de esperança...
no outono sépia da meia-idade...
nas dores da tempestade... na liberdade dos
campos verdes e floridos... no temor que reina
nos bosques sombrios... no ocaso da hora de
partir... a natureza está em nós, e nós, estamos
nela.
Quando falo de amigo, a alma
aplaude, mesmo diante dos que não merecem,
porque a amizade é isso: doar... doar... doar...
sem nada esperar em troca. O que casualmente
recebemos, é incontestavelmente prêmio de
Deus.
Quando falo de mim, não falo de mim
mulher. Falo de alguém que vive em mim, sem nome
e sem documentos, alguém que poetiza a vida que
eu vivo, porque eu, não conseguiria
fazê-lo.
Quando falo de ingratidão,
inveja... não faço poesia, porque a poesia é a
expressão do belo. Falar dos sentimentos
negativos é versejar o lado negro da vida, é
fazer antipoesia, e quem dera nunca
necessitássemos disso.
Quando falo de
saudade, nem sempre falo da minha. Saudades são
andorinhas que voam pelo mundo, fazendo ninhos
em todos os cantos e corações. Sendo nostálgica
recordação do passado, está sempre presente em
todo lugar por onde passa alguém, porque todo
mundo tem pontinhos a serem recordados com
saudade, por pior que tenha sido seu
passado.
E quando eu falo de Deus... não
espero que ninguém acredite em mim, até porque,
sem ele, não existiria o direito de duvidar,
então... deixe-me falar apenas, enquanto alguém
duvida porque eu estive em Seu colo muitas
vezes.
Quando falo em partir, não é com
lágrimas ou pesar. Sei que vou e você também
vai, porque a maior ironia da vida, é exatamente
a sua única certeza: a morte. Mas espero e
quero, que ao seguir por esse caminho, ninguém
reclame a minha volta ou aplauda a minha ida,
apenas deixem-me ir... livremente, como eu vivi.
E em paz, como
eu sonhei.
Santos,
02/12/2008
www.amoremversoeprosa.com
