Soneto VII
Olhar de labaredas
Tere Penhabe
 
Eu vi quando chegaste de mansinho,
Vieste plantar com calma, aquela estrela,
Que eu pensei ser a luz do meu caminho,
Porém era da dor uma centelha.

E parecia que eras tão sozinho!
Teu fetiche rondava-me de esguelha,
Pintando no teu rosto um menininho,
Que da tua alma nunca se emparelha.
 
Nela, o que tens, é só o olhar matreiro,
Com ele fritas, tal qual num braseiro,
Os corações que ousarem se encantar.

 
Esquecer, sei que não vou, é impossível!
Mas libertei-me desse inconcebível,
Olhar de labaredas a arvorar...

Santos,27.03.2007
 
 
 
 
 
Todos os créditos a quem de direto.
Formatada com carinho.
Arte Vera Jarude