Soneto
XXXVIII
Verso prometido
(Tere
Penhabe)
Por que desse silêncio que castiga?
Somam-se agora séculos
de paz!
Torna-se então, quase esquecida, antiga,
A espera. E lentamente
se desfaz.
Que a saudade não mata... Há quem diga.
Decerto um
mentiroso contumaz...
Num peito onde a esperança é uma mendiga,
A morte
pouco importa, tanto faz.
Eu vou revendo como num desfile,
Os
tempos tão felizes que vivemos,
A declamar os versos que
escrevemos...
E antes que a loucura me aniquile,
Eu te vejo
chegando, entristecido
Para trazer-me o
verso prometido!