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Sonho
antigo
(Tere
Penhabe)
Sonhei ontem assim, do nosso
jeito, Que ultrapassou as raias do
perfeito, Na bela sinfonia à
natureza... Ouvia bem o som de
passarinhos, Que alegremente chegam nos seus
ninhos, Como quem nunca viu tanta
riqueza!
Ao longe o marulhar de uma
cascata, Arrancava do peito, sem
bravata, Um verso antigo que não quis
voar... Você chegava bem
devagarinho, Beijando meus cabelos de
mansinho, Pedindo que o deixasse
duetar.
Mas não nos versos, nesta vida
linda, Que a gente descobriu e foi
bem-vinda, Ocultos nesse abrigo de nós
dois... A tarde vinha então caindo
mansa, Como uma nuvem que no céu
balança, E tudo era tão lindo no
depois...
No céu, o azul fazia grande
festa, A lua nos pedindo uma seresta, E um
querubim gritando: - O amor é lindo! Seu riso
misturava-se de leve, Ao meu, que percebi,
ficava breve, Ao som da noite que já estava
vindo.
Nos acordes finais da
melodia, Colhia um pouco mais dessa
magia, No ocaso que deitava sobre a
serra... Mas de repente eu vi que
entristeceu, O seu olhar, que eu sei, nunca
foi meu, E um anjo mau chutou-me para a
Terra...
Naquele desespero ainda
tentei, Salvar do triste fim o que
sonhei, Mas não dei conta pois me faltou
sorte... Eu vi tombar meu sonho
derrotado, Tão triste, tão puído e
amarrotado... Quando nasceu pensei que era
tão
forte!
São
tantas peças que a vida nos prega! Pelas
vielas onde se trafega, E quase tudo morre de
repente... Em qualquer inventário do
destino, Resta-nos sempre o insano
desatino, Da bruxa que parece
displicente...
Mas ela que se ocupe de
outro alguém, Porque sem ela eu vivo muito
bem, Dispenso a morte aqui na minha
instância... Volto a dormir sem medo de
acordar, E sei que novamente irei
sonhar, Desse meu jeito, como lá na
infância...
Interpretação: Astir*Carr
Todos os
créditos a quem de direito.
Arte Vera
Jarude
Imagens:
National Geografic e Internet.
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