
Sorte de
Arlequim (Tere
Penhabe)
I
À minha frente, o pier se
estendia... E nunca havia estado perto
assim, Que dessa vez eu não me enganaria,
Era tão forte essa certeza em mim!
E
mal o sol se pôs eu já antevia, Que
novamente chegaria ao fim, Naquele abraço
insano da agonia. Tendo de novo a sorte de
Arlequim.
Lembro que a lenda, ainda
mais, tortura, Obrigando-me a ser o que não
quero, A ter paixão pelo que não venero...
Esse meu jeito envolto em amargura,
Que estende no vazio, o meu olhar,
Somente a solidão a contemplar...
II
E me
parece tão incompreensível! Ter que sorrir no
meio da folia, Na tentativa de achar o
impossível, Que não se sabe ao menos se
existia...
Mas com certeza isso é
irreversível! Por mim, sorte madrasta eu não
teria. Que sonho é esse tão
inconcebível, A me cobrar tributo em
alegria...
Sem nunca me entregar o que é
direito, O que já tantas vezes
resgatei... É dívida que nunca
pagarei?
Pensando bem, parece-me
perfeito: Vestida de losangos
coloridos, Sigo satirizando dois
maridos.
III
Mas de repente, tão
solenemente, Me diz a sina que eu posso
mudar, Viver entre as crianças,
transparente, Mas para isso eu terei que
roubar.
Mas que destino! Céus!
Impertinente! Que não grafa na história o
verbo amar, Sendo malandro ou bobo
eternamente, E a pagar caro quando ousar
beijar...
Desisto dessa história
complicada, Que eu já nem sei que fim eu lhe
daria, Mas sei que dela nunca terei nada.
De qualquer forma, o pier existia...
E a barca a transportar meu coração, Mas
seu roteiro é sempre a
solidão!
Santos,
02/07/2009 www.amoremversoeprosa.com

Arlequim O arlequim é uma
personagem da commedia dell'arte, cuja função no
início se restringia a divertir o público
durante os intervalos dos espetáculos. Sua
importância foi gradativamente afirmando-se e o
seu traje, feito de retalhos multicoloridos
geralmente em forma de losango, mais ainda o
destacava em cena. Existe contudo, ainda, uma
versão igualmente famosa, com origem napolitana
no Polichinelo. O Arlequim foi um personagem
disseminado no Brasil principalmente através dos
blocos carnavalescos de rua. O carnaval
nordestino e baiano soube transferir o fenótipo
típico do bobo-da-corte para o artista
brasileiro, malandro brincalhão cujas peripécias
e aventuras sempre acabam prejudicando as
pessoas que se relacionam com ele e, vez ou
outra, resultam em lições de moral. No Carnaval,
o arlequim procura pelas ruas encontrar seu par,
Colombina, e, assim como o Saci, adora fumar
tabaco e atrapalhar a festa dos ambiciosos,
aventureiros e homens de boa educação. No
folclore, o Arlequim anda invisível ou bem
escondido entre as pessoas nas ruas agitadas,
pode ser visto somente de relances pelos idosos,
pelas damas novas e de boa educação e pelas
crianças. Esses momentos tipicamente são quando
o Arlequim está roubando pirulitos, balas, fumo,
doces e coisas preciosas, para depois geralmente
escondê-los das crianças. O Arlequim também pode
ser visto de relance por uma dama quando
rouba-lhe um beijo, travessura que causa ciúmes
em Colombina, que acaba aprontando uma
travessura com o Arlequim ou com a dama que foi
beijada. O Arlequim não gosta de insetos, de
homens que usem bigode e de autoridades
policiais. O Arlequim dá a uma dama bela e de
humor rápido o seu coração, lhe entregando na
porta de casa. Quando alguém come o coração do
Arlequim, essa pessoa se torna o Arlequim. O
intento de Pierrot é capturar seu coração quando
Arlequim tiver deixado-o para alguém, intento
esse que sempre fracassa devido às travessuras
do mesmo. Origem: Wikipédia
Todos os créditos a quem de
direito.
Arte: Vera
Jarude
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