Sua imagem
 
Tere Penhabe
 
I
 
Você é do jeito que eu sempre quis ser!
Sua elegância nata e requintada,
Seu ar superior, sempre calada...
Sua beleza que é de estarrecer!
 
Nos lábios o contorno que eu quis ter...
A perfeição dos traços, maquiada,
Mostra a mulher que não requer mais nada,
A própria imagem faz embevecer...
 
Para ter seu olhar... (Que covardia!)
Céus e montanhas eu removeria,
Se por um dia apenas, o tivesse...
 
Mas não a invejo moça, nem um triz!
Pois mesmo sendo tudo que eu mais quis,
Não tem o amor que tenho ao que parece...
 
II
 
E é fácil desvendar o seu segredo,
Nessa frieza que lhe estampa o rosto,
Que se assemelha tanto com o medo,
De quem teve no amor grande desgosto.
 
De quem fugiram sonhos muito cedo,
E deixa o desencanto assim exposto,
Fazendo da beleza um arremedo,
Tarde serena que diz ser sol posto.
 
Ah! Moça... se tivesse uma noção!
Se pudesse sondar meu coração,
É quase certo que me entenderia...
 
Saiba que há nele grande burburinho,
Só de lugares onde o amor fez ninho,
E nada vale mais que essa magia!
 
 
Santos, 27.10.2008
www.amoremversoeprosa.com
 
Interpretação: Astir*Carr
 
n.a. poema inspirado na arte linda da
amiga Vera Jarude.
 
Todos créditos a quem de direito.
Arte Vera Jarude