I
Eu nunca soube como
ali chegou,
Ou se passava quando
já partia,
Nada de mim, jamais me
perguntou,
E dele o que eu queria, já
sabia.
Eu via que por mim se
apaixonou,
E de paixão, meu corpo
estremecia!
Nenhum casal no mundo já
trocou,
Ardentes beijos como os que se
via.
O sol, quando nascia era um
senhor,
Que vinha o nosso amor,
abençoar,
A natureza
dando-nos louvor...
Nem antes nem depois senti
poder,
Como esse, que me deu, o verbo
amar,
Coragem tomou conta do meu
ser.
II
Aquele doce olhar não
olvidarei,
Se séculos e séculos,
viver,
Que seja assim, jamais eu
poderei,
Sequer tentar, um dia, me
esquecer...
É minha luz, sei que sempre
terei,
Para o meu próprio olhar,
abastecer,
Ela é que determina o que
serei,
Mesmo que nada mais eu possa
ver.
Vivemos dias de intenso
prazer!
Felicidade... na palma da
mão,
A semear-nos grande bem
querer.
Batia forte e tenso, o
coração,
Querendo me avisar: - Tem dó de
mim...
Que essa paixão bem pode ser meu
fim.
Durante muito tempo foi
assim...
As horas em seresta
prazerosa!
O mundo dedicado todo a
mim,
A vida nunca foi tão
venturosa.
Minha alma pressentiu um
dia, o fim...
Negou-se a se tornar
lamuriosa,
Abraçou-se ao seu sonho de
cetim,
Vergada ao cetro da sina
maldosa.
Ele partiu sem nada me
dizer.
Seguiu em frente, lento,
caminhando,
O nosso amor, na estrada ia
espalhando...
Meus olhos ainda insistem em
verter,
O pranto causticante desse
adeus,
Que banha tão cruel, os dias
meus!