Recado para Zeka-Vento...
Menino "Vento que
passa",
que as janelas,
desembaça,
a cantar como
canário...
Sei da sua
inspiração,
trovador de
coração,
conheço bem seu
fadário.
Que é quase irmão
do meu,
por tudo que já
sofreu,
e que ainda vai
sofrer...
Esses nossos
corações,
não se cansam dos
plantões,
e sempre assim há
de ser.
Somos dois irmãos
da Lua,
que inspira versos
na rua,
essa que passa no
céu...
Dois corações
vagabundos,
que perambulam nos
mundos,
sempre a fazerem
escarcéu.
Dois corações
fugitivos,
que se batem,
estão vivos,
mas daqui já se
exilaram...
Porque em tudo que
viveram,
em todos que
conheceram,
o amor não
encontraram.
Nem por isso ficam
tristes...
Pois se és poeta,
resistes,
à dor dessa
solidão...
A fazer versos de
amor,
o qual não nos
deu louvor,
mas embala o
coração.
E assim vamos em
frente...
Eu feliz, e tu,
contente,
como vento e como
lua...
Até que um dia,
quem sabe,
o nosso mundo
desabe,
e a gente encontre
na rua...
... lá da tal
eternidade,
quinhão de
felicidade,
e alguma esperança
nova...
Então nunca mais
teremos,
as dores que aqui
sofremos,
na vida que se
renova.
É isso, meu
Zeka-Vento...
Que ajuda a
espantar tormento,
sempre sempre a
versejar.
És o meu amado
irmão,
que tem no meu
coração,
cetim para se
deitar.
Mas eu sei que
essa tal Lua,
é tão minha quanto
tua,
e nós vamos
encontrá-la...
E com algum verso
antigo,
desses que canta
comigo,
nós iremos
abordá-la.
Perguntarei se é
verdade,
essa sua
leviandade,
que se vive a
apregoar...
Que a Lua é dos
seresteiros,
que a todos os
bandoleiros,
ela está sempre a
abraçar...
Então nós dois
saberemos,
que chance real
teremos,
de fazê-la
apaixonar-se...
Porque se não for
assim,
Zeka, será o teu
fim,
pela Lua,
entusiasmar-se...
Tere
Penhabe
Santos, 02/09/2009